Nada de nada, e tudo de tudo...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

a dependencia é uma besta


A realidade tem um custo.

Tirar de dentro para deitar não para fora.

Deitar fora. Só.




Mil e uma coisas poderia dizer de mim,
O cheiro de jasmim,
Ensinaste-me
O sabor dos deuses,
Enviaste-me,
Num beijo perdido,
Incompreendido e invertido,
Como quem faz faz o pino numa casa de 50 cm.
Explosivo,
Estranho mas credível,
Um dia poder dizer o quanto te amo?
impossivel

A minha voz já não faz eco.

domingo, outubro 22, 2006

Abrir ou nao as portas? (para se ler a ouvir "um lugar em mim")

Os armários são feios. Quase todos os armários são feios. Eu pessoalmente não gosto de armários. Os armários guardam coisas lá dentro, o que de facto é uma ironia visto que se um armário é uma coisa, então um armário é uma coisa que guarda coisas. E não existem armários para guardar armários. Se eu me guardasse em mim, e se me engolisse seria correcto? Seria feio. Como os armários. Existem armários com espelhos nas portas, o que também é mau, se as coisas lá dentro ficam a olhar demasiado tempo para si mesmas percorrem a sua existência a pensar que são banais. Eu não gosto de coisas banais. Embora gostasse de ter espelhos dentro de mim. Para reflectir a luz. Ou então espelhos por fora, Espelhos nos braços. Se bem que não poderia abraçar ninguém com medo de magoar, ou de me partir. Mas gostava de ter espelhos nos braços. Para reflectir a luz. Quando chove nos espelhos eles choram. Eu gosto de ver espelhos a chorar, os espelhos ao contrário dos armários, não guardam nada, revelam tudo. Ou seja é um contra-senso colocar espelhos nos armários. Ora se o céu chora, os espelhos choram com o céu. Descobri agora que os espelhos guardam momentos, os espelhos no fundo são armários. Não! Os espelhos reflectem momentos guardados. Como posso eu gostar de espelhos. Odeio espelhos. Odeio armários. Se guardasses tudo dentro de ti muito bem arrumadinho, primeiro nas gavetas de baixo, se depois pendurasses nas cruzetas os teus dias, e quando abrisses as portas te visses ao espelho. Doía?

Se calhar sou… como tu… como todos…

Um armário com espelhos na portas.

domingo, outubro 01, 2006

150

150 metros para me sentir só

Lá estamos na estrada de novo, dentro do mesmo carro, andando da mesma maneira, mantendo aquela velocidade em que as placas nos passam tão rápido que só lemos meias palavras, gostava de ler meias palavras, ou palavras a meio com alguém. Dividir as minhas palavras contigo. Eu fico com dor e tu com amor, e tornamo-nos amadores. Amadores de tudo. Não fazemos nada bem e no entanto não somos profissionais por isso divertimo-nos, e amador vem de amar não é? A estrada tem folhas no chão. Daquelas meias verdes meias castanhas, lá estão as meias coisas de novo, não era giro se dividisses umas meias comigo. Eu levava calçado uma das tuas e tu uma das minhas. Talvez não me servissem mas era um acto engraçado e já não me lembro de agir. Parei o carro está a chover demasiado e não consigo ver nada, alem do mais estou distraído. E de repente ali está ela. A placa amarela com o desvio, OUTROS DESTINOS a 150 M. E se eu desta vezes não seguisse esse caminho pré definido talvez fosse melhor, talvez encontrasse pessoas com gaivotas em casa penteando lhes as penas e gatos a voar no mar mergulhando em busca de peixe. Quero ir para lá. Lá vendem-se relógios de bolso para colocar na mochila, e dão se chocolates em forma de lâmpadas (acendem a tua barriga e tudo!). Lá as guitarras são gigantes, e os gigantes são pequenos pedaços de puzzles. Lá eu sou normal. E de repente, tudo pára. A chuva. As folhas já não seguem fugindo com o vento. E a placa cai e o penhasco agradece com um saudoso estrondo. Como descobrir o desvio? Saio do carro

Caminho

Perco noção onde estou.

Caminho

Faço 150 metros.

E nada.

Estou parado.

Sinto me estranho no meio da rua.

Passa um carro e apita-me.

Passa uma carrinha e insulta-me.

Sou estranho.

É estranho fiz 150 metros para me sentir só.

Olha

Porque ficaste dentro do carro?!

segunda-feira, setembro 11, 2006

Merda ao quadrado

É tao triste não saber o que fazer. às vezes queres saltar outras queres morrer. Outras vezes nem sequer coragem tens para tomar uma atitude que anuncie a tua presença no mundo e depois é isto. Magotes de coisas para fazer sem sentido, tudo parece bonito tudo é feio. E ver te com lingotes de outros (não de ouro, que eles devem ser feitos de cobre) e eu aqui feito de prata, para estar imperfeito junto a um nada obscuro, rodeado de pequenas lembranças dum mundo que eu não quero.

Fugi de novo, já não me lembrava de acordar quanto mais fugir. E senti me doente por dentro enquanto percorria as ruas procurando algo definitivamente atractivo. Não procurava mulheres, nem álcool, nem drogas, nem carros mal estacionados. Somente uma memória que me desse um momento. Não vivo de comida, nem de bebida, nem de pessoas. Não vivo de jornal de baixo do braço nem de abraços hipócritas dados por pessoas hipocondríacas ou simplesmente parvas. Vivo de momentos. E não consegui encontrar nenhum embora consiga descrever toda a noite que percorri, andando de facho na mão como diz o Régio, e sem nada para iluminar. Merda. Merda ao quadrado. Não se enganem não é merda no quadrado nem atirar merda para um quadrado é Merda X merda. 2Merda, ou merda2. E de repente no meio de uma tela dum filme descubro me de novo, misturado nas personagens, e vivo vidas de outros e momentos de outros. DA ME UM MOMENTO. E falo para o vazio duma sala de cinema ao meio dia. E espero pela meia noite para perceber que é triste. É triste não estar, não ver, não fazer. E de novo a ânsia de desaparecer. E morrer. Ali junto ao estrado onde nunca ninguém me beijou, no banco de jardim onde não estive, na poltrona onde ninguém me encontrou nu. Nada. E de repente o telefone toca, e não atendo. E de repente soa o eco de uma mensagem e não a leio. E de repente saio porta fora e deparo me com a inevitabilidade de um momento. Esqueci me de fechar a porta. Subo a escadaria fecho-a, ouço-a a ranger e de repente fecho os olhos com o ecoar do fecho. E aí está o meu facho arder (obrigado régio), e a minha cabeça tilintar. A porta fechou-se e está tudo la dentro, e eu estou cá fora, e mais ninguém o sabe. O telemóvel esta desligado, não escrevi cartas a ninguém. Merda! Fiquei preso! Merda! Antes libertado, e se pela primeira vez alguém ficasse preso cá fora, em vez de perceber o que é que há la dentro? Merda ao quadrado.

quinta-feira, junho 22, 2006

momento2

Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

momento


"Extraordinary Machine"

I certainly haven't been shopping for any new shoes
-And-
I certainly haven't been spreading myself around
I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb,
But I'm good at being uncomfortable, so
I can't stop changing all the time

I notice that my opponent is always on the go
-And-
Won't go slow, so's not to focus, and I notice
He'll hitch a ride with any guide, as long as
They go fast from whence he came
- But he's no good at being uncomfortable, so
He can't stop staying exactly the same

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine

I seem to you to seek a new disaster every day
You deem me due to clean my view and be at piece and lay
I mean to prove I mean to move in my own way, and say,
I've been getting along for long before you came into the play

I am the baby of the family, it happens, so
- Everybody cares and wears the sheeps' clothes
While they chaperone
Curious, you looking down your nose at me, while you appease
- Courteous, to try and help - but let me set your
Mind at ease

-Do I so worry you, you need to hurry to my side?
-It's very kind
But it's to no avail; I don't want the bail
I promise you, everything will be just fine

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine


fiona apple

segunda-feira, junho 19, 2006

fado

Não sigas estradas certas,

Nem brisas em forma de nevoeiro,

O céu limpo é bonito

Mas também é traiçoeiro.

Prefiro o negro,

Céu cheio de chuva,

de preto e branco em forma de nuvens.

Cheio de estufas de desespero

E pássaros negros em silencio.

Caiaram-me as minhas mãos,

E mesmo assim ainda as sinto,

Junto daquela boca que me turva

Turvava e me abalava por momentos os olhos

E o chão.

Partiria mil vezes se pudesse ir

Se não tivesse que ter de ler e sentir

Aquelas fotografias,

Albergadas ontem na lama,

E hoje de volta a assombrarem-me a cama.

Não adormeço

Talvez seja por isso que não quero dormir,

Nem adormecer sequer,

Parar para morrer é demasiado limitante

Para mim.

Que morra de pé,

Que seja ultrajante,

Divino até, que o meu fado se demita de canção de embalar

E volte de novo a ser

O meu fado triste,

O meu fado belo,

O meu fado leve e singelo,

O meu fado que te odeia

O meu fado que te venera até sentado numa cadeia de sentimentos perdidos e achados,

Delimitados não pela necessidade mas pela arrogância de achar que também te quero.

Que morra de pé,

(que isto não é nenhuma desesperante tentativa de obrigar a ficar)

Mas que ao menos Morra de Pé!

Talvez haja um dia,

Pode não ser agora,

Que o facto é que embora o tempo seja cruel

O tempo é fado

E o meu fado talvez se demita de canção de embalar

E volte de novo a ser

O meu fado acordado

O meu fado vivo

O meu fado triste

O meu fado de amor nascido dum beijo no umbigo

O meu fado que visto de todo o lado,

É tão parecido contigo

domingo, dezembro 11, 2005

incompreensivel e belo

Fumei um cigarro, agarrei o maço vazio, apertei-o com força nas mãos, dezfi-lo. Cheguei ao epiteto do que é sentir. Simplesmente sentir. Perdi a noção do tempo enquanto ouvia um Perry Blake distráido. Perdi o poder de me poder abraçar e me deixar dançar sozinho no meu quarto ás quartas-feiras em que estava sozinho em casa. Perdi tudo. Se ao menos me lembrasse de como tudo aconteceu?

Era uma tarde vazia como tantas outras e finalmente havia compreendido que estava tudo aniquilado. Era só mais um no meio de tantos outros. Só mais um na periferia de tanta coisa. A minha sala é vazia, desprovida de sentimentos banais e comuns, tenho um movél ao canto com os meus cd's, com uma televisão de ecrã largo 19 polegadas para me poder sentir importante. Está a dar um filme. Nao sei o titulo, apanhei-o a meio e o som está desligado, toca ainda o mesmo cd desde que me deitei ao pé da unica poltrona existente em meu redor. Tenho o teu quadro espetado na parede com mais luz, directamente oposta á janela, se calhar é mais facil despeja-lo, atira-lo para a rua, se calhar nao estava a mata-lo, fazia-lhe um favor libertava-o. O filme é uma merda, agarro os meus pés nus, descalço me sempre quando chego a casa, e embora as pantufas estejam tao perto da entrada, prefiro andar sobre o soalho de madeira, é um risco apanhar uma farpa, mas eu gosto do perigo. Mentira, sou um cobarde. Tenho medo de tudo. Os meus pés estao frios. Os meus pés são lindos. Os meus pés ja estiveram junto aos teus. Se calhar era melhor mandar os pés pela janela fora, se calhar nao estava a mata-los, libertava-os. Ficaria com a sala preenchida de vermelho é verdade, mas este branco constante está a matar-me. O telefone toca. Mesmo a tempo, mais 10 minutos e ia ao sem-coxinho atender a porcaria do telefone. Era o joão. Merda esqueci-me hoje ele tem o batizado do filho. 29 anos e ja tem que organizar festanças nas quintas de comida por encomenda. E eu que jogava futebol com este cabrão. Nao tenho fatos. Minto. Tenho 1. Aquele que me deste. Aquele que ainda cheira a agua ardente rasca do casamento do João. Cabrao do João. Obriga-me a pensar em responsabilidades. Cabrão. Vou tomar banho, mas nao faço a barba, afinal nao sou o padrinho. Espero que notem que sou um vagabundo rico. Ou um rico vagabundo. Como preferirem. Ninguem sabe quem eu sou. Tu sabes? Nao tenho mais tabaco. Queria fumar enquanto tomava um banho de imersão. Tenho tabaco de enrolar na gaveta do unico movel que tenho no quarto, mas merda nao tenho filtros, e ja nao ando de autocarro á uma decada. Uma escrivaninha dourada encostada á parede directamente á frente da cama. E ganza. Ainda bem, vai sem filtro, purinho. Deves achar que sou minimalista. Nao tenho quase nada em nenhuma sala. Deves pensar que faço Feng-Shui ou que me inspirei num Tado Ando qualquer. Nao encontro nada que goste para comprar, é so isso. Nao encontro nada que me atraia. Quer dizer gosto dos meus pés, mas os meus pés estão frios. A banheira ja transbordou de água. Nao quero saber, o empregado amanha limpa. Sim o empregado, preferi escolher um empregado, sinto me mais seguro a saber que é esse espertalhão que revê os meus segredos. Nao é facil esconder segredos em minha casa. Nao tenho muitos adereços nas salas. Ja te tinha dito? Amanha mando-o de férias. Preciso de desarrumação, esta tudo muito limpo. Demasiado perfeito. Odeio isto. O que me vale é que o charro me está acalmar. Nao me vou lavar. Prefiro ficar aqui a cozer na agua quente. Faz me sentir que o meu corpo está a morrer, pode ser que leve a minha alma com ele. Se calhar atirava a minha alma pela janela, nao a matava sabias? Libertava-a. Mas tinha de ir descalço até á sala, e os meus pés ja estão quentes. Hoje nao me limpo com a toalha. Vou buscar todos os aquecedores da casa, e deito me no quarto a secar. Como roupa lavada. Pode ser que me sinta assim, de roupa lavada. Engano-te bem? Este robe irrita-me. Este corpo irrita este robe. Nao sei porque o robe ganha sempre. Se calhar mandava o robe pela janela. É melhor não. Gosto deste robe, é verde. Gosto de coisas verdes, mas nao sei se amo este robe. Vesti-me finalmente, mas nao estou seco. As roupas ja estao coladas a mim, e por incrivel que pareça agrada-me. Deves pensar que nao me preocupo com nada. Preocupo-me sempre em deixar a janela aberta mas nunca fui assaltado. Acho que vou retirar os caixilhos da janela, se calhar é melhor não, deixava de ser uma janela, e eu preciso dela. Estou com o teu fato vestido, mas nao encontro meias nem sapatos. Os meus pés estão a ficar frios. Penso sempre em ti sabias? Decidi chorar agora. Ja nao tenho nada. Foi o João que me disse que tinhas ido embora, que tinhas ido para Praga. Eu queria ter ido para Praga contigo. Tinhas de ir para Praga? Tao ironico o nome? Praga. Para mim Praga será sempre praga. Quiseste me por um ano, para me teres numa noite e te ires embora num segundo? Os meus pés estão frios, e começaram a deambular pela casa. O meu corpo acompanha-os, afinal nao tem escolha o pobre coitado. Nao tenho mais escolha, nao tenho mais escolhas. Se tu soubesses que me tiraste uma fotografia, e que eu nunca fiz pose para ti. Os meus pés estão perto da janela, estão frios sabias? Os meus pés vao me matar. AO menos estou de fato. Mas esqueci me da gravata. Nao quero saber. Acho que eles vão saltar. A porta abre-se. Eu sei que és tu. Os meus pés saltam. Os meus pés mataram-me, mas eles o que é importante apontar-Os meus pés estao frios mas sao lindos.



NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAO. EU NAO FUI!


Ja nada interessa. Vivi por um momento no tempo. O tempo irá me agradecer. Nao me olhes pela janela, eu sei que estou de fato. Mas estou vermelho, e nao estou na sala. O vermelho com o passeio é horroroso.





Vi te morrer e nem sequer olhaste para trás. Estavas descalço, os teus pés pareciam frios, nunca hei de entender porque os senti, achava-os engraçados. Minto eram feios. Nunca entendi a tua mania de nao ter nada em casa. Nunca soube onde haveria de pousar as chaves. Mas adoro as tuas pantufas sabias? Sao quentes. Se calhar é por causa disso que pensei que os teus pés estivessem frios. As tuas pantufas estavam ao meu lado. Também elas te viram partir. Queria dizer que te amo. Queria gritar que te amo. Tive te num momento, tenho a certeza disso. Senti as tuas mãos a dizerem me que sim.


Mentira os meus pés disseram-te que sim.


Estás aí meu cabrão?! Como?!


Saltei para a varanda. Deverias saber que tenho uma varanda. Sou um cobarde. Ja to tinha dito.


És mesmo uma merda. Esquece tudo o que te disse.


Deixei te uma carta.


Para quê?


Vou morrer agora.


Vai para o caralho! Nunca te compreendi!


Por isso mesmo.


Salta para dentro. Pára com as brincadeiras. Eu juro que quem te mata sou eu.


Shhhhhh.... amo-te.


Vou para Praga amanha.


Shhhh... amo te.


Vou me embora.

Não vais nada.


Pois não.


Le-me.


A tua carta?


Nao. Le me a mim.


Amas-me?


Amo-te.


Também te amo.


Tirei a pistola do bolso do meu fato e matei-te enquanto sorrias. A seguir, entrei para dentro da minha sala e disparei para o meu peito. A minha sala está vermelha. Finalmente bela. Vivi um momento no tempo e agora atirei o tempo pela janela. Nao o matei.

Libertei-o...